segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

PAPO DE MÃE: O JOGO.

Há tempos venho pensando em criar esse marcador... Sabe como é, trocar e contar experiências do dia a dia de ser mãe. Mas sempre acabava deixando para depois.
Bem, mas a oportunidade se fez presente hoje, quando meu filho, de 10 anos, me chamou para ver um vídeo sobre um novo jogo.



Se me perguntassem há tempos atrás se eu ficaria assistindo um cara falar durante quase dezoito minutos sobre as várias formas de se cometer um assassinato, eu diria que seria impossível algo assim. Afinal, nunca fui fã de games. Principalmente, os violentos.

Pois é, mas se seu filho pedir para você dar sua opinião sobre algum jogo, melhor dar atenção. Se fosse algo que ele julgasse "tranquilo", ele não estaria pedindo sua avaliação, não acham?

E lá fomos nós para a tela do computador. De cara, ao digitar o nome do jogo, Yandere Simulator, encontrei na página de busca um blog de desenvolvimento de jogos. No texto sobre o jogo em questão havia a reclamação de que o site Twitch, famoso pela transmissão de diversos jogos, havia banido o tal do Yandere Simulator. "Informação relevante", pensei. 





Continuamos a observar a lista de sugestões no site de busca. Foi então que meu filho falou sobre o canal de um outro 'famoso' youtuber, o Molusqueti, que dá várias dicas sobre jogos. "O Brasil ficou em segundo lugar em visualizações do Yandere Simulator, com 1 milhão de acessos. Os Estados Unidos ficou em primeiro, com 3 milhões de acessos", me contou empolgado. Meu interesse começou a aumentar. Perguntei onde ele viu essas informações. "Nesses vídeos do Molusqueti!", respondeu prontamente. "Ah, sim! No Youtube!", argumentei para disfarçar minha ignorância diante de fato tão óbvio. Voltamos ao site de busca e lá fui eu encontrar o tal do Molusqueti. Encontrei. Fomos assistir o vídeo.

De início, achei chato, uma falação sem fim, mas depois de um minuto, as descrições e sugestões do "cara" firmaram minha atenção. Em cerca de quase dezoito minutos, Molusqueti apresenta diferentes formas da personagem central conseguir seu intento. E sabe qual é o objetivo? Assassinar suas colegas de colégio. 

"Mas por que ela quer matar as outras garotas?", questionei o eloquente rapaz ao meu lado. "Porque ela gosta de um garoto e pra que ele a note, ela tem que matar todo mundo", explicou. "Como assim? Ela tem que matar pra ser notada???", perguntei estupefata. "Não só por isso. Ela tem ciúmes também. Então, toda garota que chega perto dele ela quer eliminar", acrescentou. 

Choquei! Que história horrível! Me lembrou o dia em que meu marido, na época ainda namorado, me levou para assistir Sexta-feira 13 - parte... Alguma coisa! Depois de tampar os olhos quase todo o filme, gritar feito louca e agarrar o braço dele quase interrompendo a circulação, fiz a mesma pergunta: "por que esse louco quer matar todo mundo com essa serra elétrica?" Ouvi a explicação de que eu estava naquele estado deplorável porque não havia visto o primeiro filme. Se não me engano, acho que estávamos assistindo ao sexto filme dessa franquia tenebrosa, que já movimentou cerca de quinhentos milhões de dólares. "E como se faz para enterrar esse morto vivo de vez?", questionei irritada na época. A resposta vocês já sabem. Naquele filme ninguém sabia ainda como enterrar aquele zumbi dos anos 80. Pelo visto, até hoje não sabem, pois pretendem revivê-lo, ou acordá-lo novamente em 2017.


Jason, o temido assassino de Sexta-feira 13.


Mas voltemos ao jogo. A história se resume nas ações dessa colegial adolescente, que decide eliminar qualquer obstáculo que se interponha entre ela e o seu amor. Para mim ela é uma jovem psicopata. E, pelo visto, a patologia vem de família, conforme me explicou o jovem rapazinho: "o cara, o Molusqueti, vai montando uma teoria a partir das atualizações, tipo a família dela, a mãe era louca, a avó também. E agora ela". No vídeo, Molusqueti faz questão de mostrar que não há sangue nesse jogo. Porém, as ações e intenções da protagonista são funestas. 

Depois de assistir a tudo, meu filho e eu continuamos nossa conversa. Afinal, por que ele quis que eu conhecesse o jogo? Segundo ele, queria saber minha opinião a respeito. Bem, diante disso, eu falei que ele já imaginava a minha resposta. Eu continuo não gostando desses jogos e filmes com a mesma temática, porém não vi nada nesse jogo que já não tenha sido mostrado em outros, como o GTA, Assassins Creed e afins. Eu, realmente, não curto, não aprecio. Tampouco posso afirmar o quanto eles podem influenciar negativamente a personalidade de cada um. Mas não posso deixar de admitir o lucro absurdo obtido por essa indústria de games, o que demonstra o grande número de adeptos do estilo

Agora o melhor mesmo dessa história toda foi o papo que tivemos, meu filho e eu. Ele me ajudou a conhecer mais sobre esse universo e, sobretudo, perceber que a informação vai chegar para eles de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde. O que precisamos é cultivar esse contato, essa proximidade, para estabelecermos uma confiança recíproca, que o ajude no futuro a escolher o melhor caminho. 

Ah, um outro detalhe importante é que, por mais enfadonho que seja o assunto, ou por mais cansados que estejamos, devemos dar atenção a essas solicitações. Elas podem conter um desabafo, uma tristeza, ou um pedido de ajuda. Se o assunto for leve ou simples, só saberemos se os escutarmos, não é mesmo?

Então, com vocês, o jogo da vida!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

CRÔNICA DO DIA: VICE DECORATIVO???

Fiquei estarrecida com a carta do vice-presidente à Dilma! Quero dizer, a carta endereçada, na verdade, à nação brasileira.

Depois de participar do primeiro mandato de Dilma "decorativamente", como ele afirma na carta, Michel Temer aceitou compor o quadro e se manteve na chapa para o segundo mandato da presidente eleita.

No texto, o ainda vice-presidente enumera seus vários feitos durante sua permanência "decorativa" no cargo, porém lamenta que nenhum deles tenha sido reconhecido pela presidente e seus assessores.

Dilma e Temer, conversando.


Além de estarrecida, achei lamentável a atitude do vice-presidente e confesso que fiquei muito receosa do que pode vir a acontecer. 

Caso a presidente sofra o impeachment, quem assumiria no seu lugar seria o vice, Michel Temer. Caso os dois fossem indiciados e condenados no processo, quem assumiria interinamente, já que o governo ainda está na primeira metade do mandato, seria o presidente da Câmara. Eduardo Cunha teria, então, que convocar novas eleições em até 90 dias. Isso, claro,  se nada mudar ou acontecer durante o período da permanência no poder do criativo e bem articulado Cunha.

Michel Temer, vice-presidente, e Eduardo Cunha, presidente da Câmara.


Bem, o vice-presidente não sofreu até agora e, provavelmente, não sofrerá o impeachment. Mas o que acontece se ele sair do governo e a presidente Dilma for impedida de continuar no cargo? Vamos pensar. Estamos na primeira metade do segundo governo de Dilma. Então, pelo que diz a nossa Constituição e já mencionado acima, quem assumiria interinamente seria mesmo o Eduardo Cunha. Enquanto isso, como fica o seu processo? Se Cunha também for afastado, quem assumiria seria o presidente do Senado, Renan Calheiros - PMDB-AL. 

Michel Temer, com Renan Calheiros, presidente do Senado.


Enfim, embora sejam peças "decorativas" no governo petista, é o PMDB que assumiria o governo até as próximas eleições, caso a saída da presidente Dilma se concretize. Isso, se tudo for decidido ainda na primeira metade do mandato.

Ah, mas temos um outro detalhe importante: se o processo contra Dilma só for finalizado na segunda metade do seu mandato, o presidente da Câmara (ele de novo!) assume o cargo e realiza uma eleição INDIRETA para a escolha do sucessor. Nessa eleição votam, apenas, os senadores e os deputados federais.

Pois é, amigos leitores, o momento é sério e inspira muita atenção. Não cabem brincadeiras como a que vi, agora há pouco, em uma rede social, onde um internauta afirmava que "até Fernandinho Beira Mar seria melhor que Dilma". Muito cuidado com o que dizemos e, sobretudo, com o que desejamos. Nossas ações, nossos pensamentos, nosso descaso, nossa falta de compromisso com a seriedade podem prejudicar o nosso futuro e o de todo o país. Atenção, amigos leitores! Muita atenção!


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

CRÔNICA DO DIA: "É UMA VERGONHA!"


É uma vergonha! É só o que podemos dizer do nosso Congresso Nacional e suas lideranças. O cinismo e a falta de compromisso com a nação e com o povo brasileiro são chocantes! Ninguém está preocupado com o destino do país! Em como o país parou a partir das últimas eleições. Só pensam em seus próprios interesses. Não vejo uma só pessoa no Congresso, no Senado, ou no executivo capaz de pensar no país, no povo brasileiro. É um festival de conchavos e acordos. 


O Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, faz ameaças públicas a todos, caso não concordem com suas manobras e decisões e tudo fica por isso mesmo. Absurdo total! E agora, para sair do foco da questão e em uma atitude clara de retaliação, aceita abrir o processo de 'impeachment' contra a presidente Dilma. Não porque queira o melhor para nós, cidadãos brasileiros. Não! E sim para dar uma demonstração clara de força e impunidade. A oposição ao governo petista lhe estende as mãos, porque ele atende aos seus interesses mesquinhos e imediatistas.

Se o processo de 'impeachmentfor aceito, a presidente pode ficar afastada do cargo por 180 dias e, durante esse período, o vice, Michel Temer, assume o cargo. Caso saia vitoriosa, ela retorna ao cargo. Caso contrário, continuaremos governados pelo vice do PMDB. Grande mudança essa, meus caros! 

E enquanto só se fala nisso, Cunha permanece no cargo, imune às investidas insípidas dos seus opositores e o país... Ah, o país... Aguarda de braços cruzados, silencioso, o que essa elite política, de conduta duvidosa decide para as nossas vidas.

Como bem disse em entrevista o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa: "Não vejo, tanto na ala governamental quanto na oposição, a liderança lúdica que dê a direção correta".


Enfim, um futuro sombrio para nós, cidadãos brasileiros, pagadores de impostos e da conta que não reflete o nosso consumo.


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

BLOG DA FÁTIMA AUGUSTA: QUATRO ANOS!!!!


FELIZ ANIVERSÁRIO PARA O BLOG DA FÁTIMA AUGUSTA!!!


Hoje é um dia especial... É o dia do aniversário do Blog da Fátima Augusta. Quatro anos se passaram desde a primeira postagem, que contava como nasceu a ideia da história do girassol chamado Sol que não queria olhar para o sol.





Muitas águas rolaram, muitas novidades surgiram, muitas ideias brotaram. E hoje, o Blog ganhou um público fiel, amigo, que espera sempre por uma nova postagem.

Como de costume, vou aproveitar a oportunidade para divulgar as cinco postagens mais visitadas no último ano. Vejam só:




E vocês? Já escolheram qual a sua postagem favorita do Blog da Fátima Augusta? Opinem, escolham e, se quiserem, podem sugerir algum assunto que gostariam de ver abordado neste blog. 

Espero por vocês!

E...  Mais uma vez MUITO OBRIGADA, caríssimos leitores e amigos!!!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

"É SÓ UMA PIADA!" (Bullying ou brincadeira?)

Participei de um encontro no Colégio de Aplicação da UERJ (CAp-UERJ), no último sábado, que pretendia discutir o bullying  no ambiente escolar. Nomeado "Bullying no CAp-UERJ - reconhecer para combater", o encontro propunha um bate-papo sobre a questão, que gera tanta polêmica e sofrimento àqueles que são vitimados pela prática. Mas foi mais que isso. A grande questão levantada no encontro foi "afinal, é brincadeira ou bullying?"


Para ilustrar o encontro, mediado pela professora Claudia Barreiros, coordenadora do projeto de combate ao Bullying através da identificação e reconhecimento do problema, foi apresentado o documentário "O Riso dos outros". Nele, vários humoristas, escritores, chargistas, comediantes, professores, escritores, blogueiros, entre outros, comentam o assunto e, em muitas situações, acirram os ânimos e nos fazem parar para pensar. Se puderem, não deixem de assistir. Eu recomendo. É excelente para reflexão.

"É só uma piada", disse o comediante Rafinha Bastos, alvo de uma grande polêmica envolvendo o tema estupro. Apoiado por alguns, como a também comediante Marcela Leal, o comediante Danilo Gentili, entre outros, a frase gerou também uma grande onda de protestos. "As piadas não tem um fundo de verdade. Elas são a verdade. São a verdade com o nariz de palhaço", disse o escritor Antônio Prata. "As liberdades têm limites", alerta o deputado Jean Wyllys, acrescentando que a nossa liberdade termina quando começa o direito do outro.


"As piadas são a verdade com o nariz de palhaço".

Acho que é exatamente aí que está o ponto. Talvez porque a maior dificuldade do ser humano, a meu ver, é se colocar no lugar do outro, sentir a sua dor. Quando não somos capazes de fazer isso, não conseguimos perceber onde está o limite do espaço do próximo. Não conseguimos perceber o que é divertido e o que pode ser uma agressão ou um grande sofrimento. E qual será o motivo de fazermos graça com o sofrimento, ou a condição em que se encontra o outro? Isso é realmente engraçado? "Eu me vendo por riso", disse o comediante Danilo Gentili, reforçando a ideia do "é só uma piada". Será mesmo que vale a pena ganhar o riso de muitos, em detrimento do choro de alguns?



Certo, até agora, o que vimos no encontro foi o despertar do tratamento dado ao bullying no humor. Afinal, é tão comum comparar e igualar o bullying a uma brincadeira. É só prestarmos atenção na popularidade dos nossos humoristas. Mas e no ambiente escolar? Sim, na escola, quando os envolvidos são crianças do primeiro segmento do ensino fundamental e tem, no máximo, 12 anos de idade? Para a professora Claudia Barreiros, não se deve criminalizar o praticante do bullying. É preciso entender as motivações para tentar parar o processo. Um fato interessante mencionado no encontro foi a questão do "alvo". Sim, por que algumas pessoas são alvos fáceis para os praticantes do bullying? O que determina o "alvo"? Segundo a professora, o alvo normalmente demonstra um grande "sofrimento" com a situação, o que só alimenta esse tipo de atitude. "Muitas vezes outros membros do grupo aderem à prática para não se tornarem alvo", alerta Claudia, acrescentando que muitos praticantes de hoje já foram vítimas no passado.



Bem, mas identificado o problema o que fazer? Segundo a coordenadora do projeto, o primeiro passo é conversar com os envolvidos, para fazê-los entender as implicações de tais atos. Se não adiantar, aí sim, os pais devem ser acionados. "Alguns pais dos praticantes do bullying ficam chocados ao tomarem conhecimento das atitudes do filho, porque sequer o imaginavam capaz de cometer essas ações. Num primeiro momento, negam. Depois, normalmente, querem punir severamente. E, ao final, buscam o entendimento através de conversas", explica a professora.

Pelo que pude observar no encontro, o processo para identificar e combater o bullying é longo e exige boa vontade de todos os envolvidos. Para o "alvo" é um grande sofrimento e passar por esse período pode acarretar situações imprevisíveis, como no caso da estudante que foi vítima de ciberbullying e acabou se suicidando. 



Por tudo isso, por mexer com sentimentos profundos e grande sofrimento dos envolvidos é que precisamos estar atentos a questão. Em âmbito escolar, os educadores, inspetores e profissionais da educação em geral têm que estar abertos para ouvir os "alvos" e avaliar criteriosamente a situação. Eu mesma mencionei durante o encontro, que as crianças ou adolescentes vítimas do bullying devem sentir segurança no adulto que escolheram para relatar o problema. Caso contrário, as consequências podem ser extremamente prejudiciais. Mesmo no CAp-UERJ, onde o projeto de combate ao bullying é incentivado, contando, inclusive, com uma semana inteira dedicada ao tema, ainda há muito por ser feito. A mudança de hábitos e a conscientização não acontecem da noite para o dia. Mas o primeiro passo já foi dado. Para encerrar o encontro, Claudia Barreiros propôs uma palavra: "parceria!" 

Continuemos a caminhar, então! Juntos, atentos e comprometidos. Sempre na busca do respeito ao próximo. 

domingo, 5 de julho de 2015

DIVERTIDA E CRIATIVA MENTE!

Está em cartaz nos cinemas a animação da Disney Pixar DIVERTIDA MENTE. Quando assistimos ao trailler antes da estreia, meu filho e eu logo dissemos um pra outro: "não podemos perder. Parece interessante". E foi mesmo.

Medo, Nojinho, Alegria, Raiva e Tristeza.


As personagens coloridas, bem desenhadas e falantes são as emoções que convivem dentro da cabecinha da menina Riley, de 11 anos: Alegria, Tristeza, Medo, Nojinho e Raiva. Desde o nascimento a Alegria parece ter sido a líder das emoções da garotinha. Suas memórias são divertidas, alegres e cheias de amor. Ela vive cercada de amigos e rodeada de carinho da família. Mas, justamente, quando a menina vai enfrentar uma grande mudança em sua curta vidinha, Tristeza causa a maior confusão na sala de controle, isto é, no cérebro da Riley e acaba sendo expelida dali junto com a Alegria. E é aí que começa a confusão de fato. Já imaginaram uma pessoa sem alegria e sem tristeza?

O incidente acontece justamente quando Riley chega à casa nova e tem que enfrentar o seu primeiro dia na nova escola. Sem a Alegria para lhe impulsionar e a Tristeza para lhe fazer refletir, Riley tem que conviver com o Medo, a Raiva e o tédio da Nojinho. 

Enquanto isso, Alegria e Tristeza tentam a todo custo retornar à sala de controle e nessa batalha para chegar lá, elas vão descobrindo memórias já esquecidas, relembrando fatos que estavam guardados lá no fundinho da memória. Foi assim o reencontro com o elefantinho rosa, que se achava parecido com um golfinho. Era uma lembrança da primeira infância de Riley e Alegria ficou felicíssima em revê-lo. 

O filme usa e abusa da simbologia para mostrar o quão contraditórios podem ser nossos sentimentos e nossas atitudes, dependendo da emoção que decidimos escolher vivenciar. Apesar da confusão ter sido causada pela tristeza lá na sala de controle, ao longo da narrativa percebemos como é importante vivenciarmos esse sentimento para amadurecermos e crescermos. Mesmo deixando a personagem triste, é a Tristeza que a faz parar e refletir. Bom mesmo foi ver a incansável Alegria perceber isso e abrir espaço para esse sentimento. Antes a ideia era mantê-la circunscrita para não causar sofrimento a pequena Riley, só alegria. Mas ao caminharem lado a lado, Alegria percebe o quanto precisa da Tristeza para fazer com que a menina não esqueça dos seus bens mais preciosos: o carinho e o amor da sua família.

Tristeza, sempre pensativa.


Eu confesso que em alguns momentos o filme me emocionou bastante. Meu filho me perguntou se eu havia chorado. Diante da minha afirmativa, ele quis saber em que momento eu fiquei mais tocada e chorei. Respondi que foi o momento em que a lembrança do elefantinho rosa vai sumindo depois de ter tido uma atitude nobre. Ele igualmente tocado disse: "eu também, Mãe". Perguntei a ele se ele saberia dizer o por que dessa passagem ter nos emocionado tanto. Ele ficou pensativo. Arrisquei: "o elefantinho rosa são as nossas memórias infantis e é sempre muito difícil deixá-las para trás". 

Quando saímos do cinema, meu filho me perguntou qual personagem eu tinha gostado mais. Sem pestanejar, respondi: Alegria! Ele retrucou: "O meu foi a Tristeza... Fiquei com pena dela..." E passou a viagem de retorno à casa tentando me convencer de que a Tristeza era o melhor personagem. Mas eu resisti: "a tristeza é importante e muito necessária, mas ainda assim eu gostei mais da Alegria. Sua perseverança e também sua humildade ao reconhecer a importância da Tristeza, fazem dela uma personagem incrível". Como bem definiu uma amiga, "uma guerreira incansável"!

Alegria, sempre cheia de ideias.


Enfim, esta é uma animação para toda a família. Diverte, mas faz pensar. O final é igualmente simbólico. No filme, nossas memórias são armazenadas em bolhas (ou bolas) transparentes e sempre que a Tristeza tocava em alguma delas acidentalmente, elas ficavam com a sua cor e aquela memória passava a ser triste. Mas no final, Alegria permite que Tristeza toque algumas bolas, passagens felizes que a menina havia vivenciado com os seus pais e seus amiguinhos. Apesar das bolas mudarem de cor, aquela lembrança fica com o gostinho de saudade, de um tempo bom que não volta mais e que pode dar um certo ar de tristeza, sem, contudo, interferir negativamente na personalidade e no comportamento da menina. São momentos lindos e mágicos. 

Para quem ainda não viu, eu recomendo. Gostei muito. E para quem já viu, espero que o filme tenha lhe trazido boas, incríveis e intensas lembranças.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

CRÔNICA DO DIA: ELE SE FOI...

Há dias que trechos de uma música não saem da minha cabeça. Embora a letra não se relacione diretamente a experiência que eu estava vivendo, partes dela se encaixavam perfeitamente à situação.

"Não sei por que você se foi..."

É fato. Só sei que você se foi. Você teve que ir. Mas o porque eu não sei. Queria que estivesse aqui. Sempre vivemos distantes fisicamente. Também não sei porque. A vida quis assim. Mas nossos corações sempre foram unidos e afins, apesar da distância deste nosso país continental. A invenção de Graham Bell nos ajudou muito com isso. Nos entendíamos em poucas palavras. Você era o queridinho da família, o irmão mais velho, mais responsável, mais sério, o único que não foi criado acreditando em Papai Noel. Mas apesar disso, dentro dessa casca de praticidade, habitava um coração grandioso, generoso e extremamente amigo. Você sempre foi de poucas palavras e eu, sua irmã caçula, de muitas. Éramos complementares. Apesar da grande diferença de idade e de personalidade, nossa responsabilidade e seriedade diante dos fatos da vida, acabaram nos aproximando. Muito. Você do seu jeito mais sério e eu com o meu jeito mais expansivo.

"Quantas saudades eu senti..."

Quantas saudades eu estou sentindo neste momento e vou sentir sempre. Saudade da sua suave autoridade, que lhe garantia ser ouvido nas situações familiares mais espinhosas. Um dom só seu. Me lembro quando nossa mãe querida adoeceu gravemente. Parecia que não ia resistir e os médicos sugeriram uma transferência de hospital para tentar reverter o quadro. Nossos outros irmãos tiveram medo que ela não resistisse. Conversei com vários médicos e diante do que me disseram mais uma vez fiz uso da invenção do Graham Bell para conversar com você. Grande invenção o telefone! Sempre nos deixou tão perto... Expliquei a situação a você e falei das dúvidas dos nossos irmãos. Você foi taxativo: "Faça o que tem que fazer. Estou do seu lado. Se algo não sair como esperamos, teremos certeza que tentamos fazer o melhor". Pronto. Essa ordem foi suficiente para que eu agisse. Com a transferência, nossa mãe melhorou e após um mês internada, recebeu alta completamente curada. Apesar da distância física, eu não me sentia só. Você estava comigo. Sempre. De verdade.

"E aquele adeus não pude dar..."

Vencido pelas mazelas deste mundo terreno, você partiu. Foi tudo tão rápido. Tão ferozmente doloroso. E a distância não nos permitiu um último abraço, um último carinho, um último afago. 
"Estou tão cansado... Tão cansado...", me disse você na penúltima vez que nos falamos ao telefone. Não sei se foi a forma como disse, as reticências, as palavras implícitas que não chegaram a ser ditas, mas o meu coração apertou, doeu e um pressentimento tomou conta de mim. A hora estava chegando. Qualquer couraça se rompe e as lágrimas são inevitáveis nessa hora. Me mantive firme, tentei lhe dizer palavras de alento. Poucas. E, por fim, apenas "eu te amo muito". E recebi de volta a mesma frase dita de forma intensa e sentida: "eu também te amo muito". Ao desligar o telefone, desabei. Sozinha. Silenciosa. Bem ao seu estilo.
Cerca de duas horas depois dessa breve conversa, seu estado de saúde se agravou e eu achei que nunca mais nos falaríamos. Mas guerreiro como só meu irmão mais velho poderia ser, você resistiu por mais uns poucos dias e eu pude falar mais uma vez. Desta vez você só iria ouvir. Falar lhe exigia um grande esforço. Então falei eu. Mais uma vez. "Eu te amo, meu irmão. Estou ao seu lado. Estamos todos unidos em pensamento e no amor que sentimos. Te amo demais!" E num último esforço você disse, quase inaudível, rouco: "obrigado... Eu te amo..."

"Você marcou em minha vida. Viveu, morreu na minha história..."

Você foi um exemplo para todos nós. Não só fez parte da nossa história. Você marcou, você fez a diferença e o amor que sempre nos uniu nunca morrerá. Seguirá para sempre guardado dentro dos nossos corações e nas nossas mentes. 

"Gostava tanto de você..."

Eu GOSTO tanto de você! Muito! Para todo o sempre!










Meu irmão, meu amigo, em um momento feliz da minha vida, em que você pôde estar presente fisicamente.













(Referências à música "Gostava tanto de você", de E. Trindade, eternizada na voz de Tim Maia).