domingo, 5 de julho de 2015

DIVERTIDA E CRIATIVA MENTE!

Está em cartaz nos cinemas a animação da Disney Pixar DIVERTIDA MENTE. Quando assistimos ao trailler antes da estreia, meu filho e eu logo dissemos um pra outro: "não podemos perder. Parece interessante". E foi mesmo.

Medo, Nojinho, Alegria, Raiva e Tristeza.


As personagens coloridas, bem desenhadas e falantes são as emoções que convivem dentro da cabecinha da menina Riley, de 11 anos: Alegria, Tristeza, Medo, Nojinho e Raiva. Desde o nascimento a Alegria parece ter sido a líder das emoções da garotinha. Suas memórias são divertidas, alegres e cheias de amor. Ela vive cercada de amigos e rodeada de carinho da família. Mas, justamente, quando a menina vai enfrentar uma grande mudança em sua curta vidinha, Tristeza causa a maior confusão na sala de controle, isto é, no cérebro da Riley e acaba sendo expelida dali junto com a Alegria. E é aí que começa a confusão de fato. Já imaginaram uma pessoa sem alegria e sem tristeza?

O incidente acontece justamente quando Riley chega à casa nova e tem que enfrentar o seu primeiro dia na nova escola. Sem a Alegria para lhe impulsionar e a Tristeza para lhe fazer refletir, Riley tem que conviver com o Medo, a Raiva e o tédio da Nojinho. 

Enquanto isso, Alegria e Tristeza tentam a todo custo retornar à sala de controle e nessa batalha para chegar lá, elas vão descobrindo memórias já esquecidas, relembrando fatos que estavam guardados lá no fundinho da memória. Foi assim o reencontro com o elefantinho rosa, que se achava parecido com um golfinho. Era uma lembrança da primeira infância de Riley e Alegria ficou felicíssima em revê-lo. 

O filme usa e abusa da simbologia para mostrar o quão contraditórios podem ser nossos sentimentos e nossas atitudes, dependendo da emoção que decidimos escolher vivenciar. Apesar da confusão ter sido causada pela tristeza lá na sala de controle, ao longo da narrativa percebemos como é importante vivenciarmos esse sentimento para amadurecermos e crescermos. Mesmo deixando a personagem triste, é a Tristeza que a faz parar e refletir. Bom mesmo foi ver a incansável Alegria perceber isso e abrir espaço para esse sentimento. Antes a ideia era mantê-la circunscrita para não causar sofrimento a pequena Riley, só alegria. Mas ao caminharem lado a lado, Alegria percebe o quanto precisa da Tristeza para fazer com que a menina não esqueça dos seus bens mais preciosos: o carinho e o amor da sua família.

Tristeza, sempre pensativa.


Eu confesso que em alguns momentos o filme me emocionou bastante. Meu filho me perguntou se eu havia chorado. Diante da minha afirmativa, ele quis saber em que momento eu fiquei mais tocada e chorei. Respondi que foi o momento em que a lembrança do elefantinho rosa vai sumindo depois de ter tido uma atitude nobre. Ele igualmente tocado disse: "eu também, Mãe". Perguntei a ele se ele saberia dizer o por que dessa passagem ter nos emocionado tanto. Ele ficou pensativo. Arrisquei: "o elefantinho rosa são as nossas memórias infantis e é sempre muito difícil deixá-las para trás". 

Quando saímos do cinema, meu filho me perguntou qual personagem eu tinha gostado mais. Sem pestanejar, respondi: Alegria! Ele retrucou: "O meu foi a Tristeza... Fiquei com pena dela..." E passou a viagem de retorno à casa tentando me convencer de que a Tristeza era o melhor personagem. Mas eu resisti: "a tristeza é importante e muito necessária, mas ainda assim eu gostei mais da Alegria. Sua perseverança e também sua humildade ao reconhecer a importância da Tristeza, fazem dela uma personagem incrível". Como bem definiu uma amiga, "uma guerreira incansável"!

Alegria, sempre cheia de ideias.


Enfim, esta é uma animação para toda a família. Diverte, mas faz pensar. O final é igualmente simbólico. No filme, nossas memórias são armazenadas em bolhas (ou bolas) transparentes e sempre que a Tristeza tocava em alguma delas acidentalmente, elas ficavam com a sua cor e aquela memória passava a ser triste. Mas no final, Alegria permite que Tristeza toque algumas bolas, passagens felizes que a menina havia vivenciado com os seus pais e seus amiguinhos. Apesar das bolas mudarem de cor, aquela lembrança fica com o gostinho de saudade, de um tempo bom que não volta mais e que pode dar um certo ar de tristeza, sem, contudo, interferir negativamente na personalidade e no comportamento da menina. São momentos lindos e mágicos. 

Para quem ainda não viu, eu recomendo. Gostei muito. E para quem já viu, espero que o filme tenha lhe trazido boas, incríveis e intensas lembranças.


19 comentários:

  1. Belo texto Fátima, para refletirmos um pouco esses sentimentos que nos tocam a vida inteira. Que bom que JP tb gostou. Bjs da Nitinha.

    ResponderExcluir
  2. Muito interessante, Fátima! Ficou ótimo como vc falou do filme. Parece que a gente está assistindo de novo. Como seu filho, também gostei mais da Tristeza, mas realmente a Alegria é incansável. Beijos da Rô.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Rô! Fico feliz que tenha que tenha gostado. Beijos.

      Excluir
  3. Fátima adorei o texto. essa ideia de desenho animado que nos faça refletir mais profundamente é sensacional!!! Adorei suas colocações e o JP é um menino de ouro heim, adorei como ele entendeu a colocação dos sentimentos!!! Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Anastacia!!! Essa dobradinha desenho animado / reflexão é imbatível mesmo! Beijos,

      Excluir
  4. Excelente texto. E um ponto interessante - desenhos animados podem provocar interessantes reflexões. Gostei demais, Fátima Augusta.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Alzira! Fico feliz que tenha gostado do texto! E como disse acima, a dobradinha desenho animado / reflexão é imbatível mesmo! Um grande abraço!

      Excluir
  5. Também gostei muito. Para a minha filha de 5 anos é um pouco complicado toda essa compreensão, mas o de 10 aproveitou bastante. Bj

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Flavia, esse é um desenho para toda a família. Mas mesmo que a sua filha menor não absorva todas as questões que levantamos, a maneira como o filme é feito também e capaz de agradá-la, pois as cenas são muito bem feitas e coloridas. Um grande abraço!

      Excluir
  6. Fatima, realmente o filme é especial por ser um entretenimento que suscita a reflexão para os nossos sentimentos. Principalmente, pela personagem principal ser uma pré-adolescente que está com seus sentimentos em formação para a chegada da adolescência. Fase difícil, delicada e de extrema importância na formação de nossa personalidade. Muito bom o seu texto quando analisa que os sentimentos, Alegria e Tristeza, tinham importância semelhantes, assim como os demais, para a vida da pequena Riley. Parabéns, pelo belo texto!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Cosme Luiz! Que bom que gostou do texto e do filme. Eu também apreciei demais! Um grande abraço!

      Excluir
  7. Puxa! Fiquei super curioso! Verei!

    ResponderExcluir
  8. Seu post da vontade de ir ao cinema no momento seguinte. To louco pra ver!!! Bjs

    ResponderExcluir
  9. Adorei o filme! Eu também chorei e em várias partes... rs
    O filme faz refletir sobre os momentos da formação da nossa personalidade. Achei genial a ideia das ilhas e a forma como os processos mentais (sonhar, lembrar, esquecer, etc) foram retratados. bjo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, Renata, a forma como foi abordada a trajetória das memórias é muito interessante. Que bom que gostou. Eu também gostei muito!

      Excluir